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Crítica

Publicado em 30/04/2010 pelo blog Uma Revolução na Arte da Crítica: Fazendo com Humildade

Essa é aquela famosa peça que você vai ver em uma quinta, sexta ou sábado a noite, praticamente na rua, e não paga ingresso. Óbviamente tu pensarias "Bah, ma que caquinha que serás esta bagualidade". Eis que pois a primeira cena praticamente confirma a expectativa. Porém, sem que Vossa Senhoria perceba, acaba de entrar nos ares do clima pesadamente antagônico e crítico-social do espetáculo: irás ficar curioso o tempo inteiro para ver o que virá então. Fato. Atores muito bem preparados. Tempo de cenas cuidadosamente ensaiados. Com atos meio performáticos, às vezes quase lineares, diferentes. A trilha sonóra acompanha os atores (essa é uma daquelas peças que você vai seguindo os atores pelo caminho/palco) e é tão interessante quanto possevíl. Há uso de recursos de projeção (especificamente na segunda cena), mas que não faz realmente diferença. É mais uma espécie de adereço de palco. Destaco os atores. Todos muitíssimos bons, com firmeza, atuações precisas e excelentes tempos. A iluminação era a escuridão natural, com alguns focos e refletores, por vezes velas. O que ajuda muito na manutenção quase "natural" do clima. Por sorte no dia em que vi era uma noite fria e de céu limpo. Muito bom para se ficar cheio de jaquetas, cachecoois e stand vendo uma peça boa. Faltou comentar alguma coisa? Ouvi de uma senhorita da produção que cada ator escreveu se pr[oprio texto. Bastante interessante, porque de certa forma, cada cena estabelece uma boa conexão com todas as outras. Doravante: Não sei se haverá novas apresentações do espetáculo, mas caso haja, recomendado. Aquela história: primeira cena, te dou uma chance.

Inserção espontânea

Blogs que comentaram e divulgaram a peça Amoradores de Rua.

em 04/04/10:
A Capa da Grade
Grupo Con.Tato

em 05/04/10:
Ubervu
Movimento Particular

Um banquete na rua

Publicado em 01/04/10 pelo Curitiba Cultura

Estreou ontem a peça Amoradores de Rua. Ambientada no entorno do prédio da Universidade Federal do Paraná (Reitoria), a encenação expressa o convívio de pessoas que adotaram a rua como um lar. Diferente destas duas primeiras linhas, não há nada de convencional na peça. Antes dos detalhes, um adendo: vale conferir a ficha técnica e espiar o blog (amoradores.blogspot.com) pois o grupo é digno de nota.

Os que não ficam aturdidos com as cenas podem rir. A graça é irônica e o choque é trágico. Afinal, a rua é chocante aos olhos do hipócrita, pois ela é o convívio comum e o intimo dos nossos dias transmutado na encenação do dia-a-dia. Não há nada ali que não seja cotidiano e comum, resguardado o pitoresco, expressão poética do humano em conflito com o ser. Mas tudo isso é pouco, pois perdido em cada esquina há um devorador de gente.

“A luta entre o que se chamaria Incriado e a Criatura – ilustrada pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor cotidiano e o modusvivendi capitalista. Antropofagia. Absorção do inimigo sacro. Para transformá-lo em totem. A humana aventura. A terrena finalidade. Porém, só as puras elites conseguiram realizar a antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os males identificados por Freud, males catequistas. O que se dá não é uma sublimação do instinto sexual. É a escala termométrica do instinto antropofágico. De carnal, ele se torna eletivo e cria a amizade. Afetivo, o amor. Especulativo, a ciência. Desvia-se e transfere-se. Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo – a inveja, a usura, a calúnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é contra ela que estamos agindo. Antropófagos.”

Explico: em tudo há amor e humor. Todas as falas são repletas desses dois sentimentos universais e que parecem traduzir a própria condição de existir. Assim como esta matéria engole o trecho do Manisfesto Antropofágico de autoria do escritor Oswald de Andrade(entre aspas), repetidas vezes o Manifesto é fala dos atores. Sem delongas, destaco a mixagem sonora e o cenário, referências digeridas e incorporadas no corpo do espetáculo. Reitero: vale a conferida no blog, para saber dos detalhes.

Aliás, tudo explicadinho, tim-tim por tim-tim, não. Tem que conferir. (...) Desejo-lhes muita fome e um bom apetite!

Um olhar sobre o espaço público que se tornou mera passagem

Publicado em 31/03/10 pelo site Gazeta do Povo Online - Caderno G

A rua, um local tão próximo e ao mesmo tempo tão distante de todo cidadão, deflagrou o espetáculo Amoradores de Rua, do dramaturgo e diretor Rafael Camargo, de 45 anos. A montagem vem sendo exibida, em fase experimental, há mais de uma semana no pátio da Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR), mas a estreia oficial é hoje, a partir das 22h30. Serão dez apresentações, sempre de quarta-feira a domingo.

Camargo lembra que a rua, que já foi um espaço político, palco de discussões, hoje tornou-se mero meio de passagem. E essas “artérias” da cidade abrigam não poucos moradores, os seres que estão fora do processo produtivo. São, na definição do dramaturgo, os invisíveis. A peça, entre outras nuances, propõe o encontro dos visíveis, os que têm funções so­­ciais, com os não-visíveis.

Essa montagem em movimento, que dura aproximadamente 70 minutos, conta com seis atores: Adriano Petermann, Martina Gallarza, Maurício Vogue, Felipe de Souza, Marcelo Szymanski e Diego Marchioro. Eles são coautores do texto, elaborado a partir de interação de processo colaborativo.

A encenação, pelo menos momentaneamente, acontece em sete estações. Do nascimento ao fim, que é um carnaval, os personagens vão experimentar as delícias do céu, os desconfortos do inferno, incluindo purificação e o reconhecimento mútuo. Mas, avisa Camargo, Amoradores de Rua, como a própria rua, é algo vivo, em constante mutação, sujeita aos necessários ajustes.

O dramaturgo analisa que a proposta dialoga com o que chamam de teatro investigativo. Os atores realizaram pesquisa de campo. Ou seja, conviveram com moradores de rua. “Os moradores de rua chamam uns aos outros de irmãozinhos. Depois de algum convívio, os atores passaram a ser chamados de irmãozinhos, pelos próprios ‘invisíveis’ da rua”, conta o diretor, completando que muitos moradores ofereceram de pinga à proteção.

Mas, além dessa imersão no real, também aconteceu um diálogo com movimentos artísticos. Camargo conta que o grupo se apropriou de elementos do modernismo. “Incorporamos a ideia da antropofagia, que significa ‘consumir’ diversos elementos, ‘digerir’ e oferecer uma nova proposta. A rua faz isso: sempre transforma tudo em outra coisa”, explica. O Cinema Novo, por ser muito pulsante, “como a rua”, também tem pontos de contato com Amoradores de Rua. “Porque o Cinema Novo tem pulsão vital”, completa.

Depois de cinco meses em processo, pesquisas e prática, Camargo diz estar satisfeito com Amoradores de Rua, para ele, uma montagem com estética interessante, diferente e curiosa. “Não tem historinha. Antes, é um projeto artístico aberto, que tem muitas camadas e que tanto diverte como tende a fazer pensar”, diz.

Noite dessas, durante um dos ensaios abertos, justamente na cena da “matilha”, surgiu uma cadela, que começou a puxar a roupa da atriz Martina Gallarza. Todos se emocionaram. E, para Camargo, foi um sinal. Que ele interpreta como bom agouro para esse projeto contemplado por edital da Funarte, aberto à comunidade, sem cobrança de ingressos.

Montagem explora o universo fragmentado dos moradores de rua e da cultura nacional

Publicado em 29/03/2010 pelo Paranashop , Clicnews e Difundir; Publicado em 31/03/2010 pelo Curitiba Interativa , Basta Clicar e Bem Paraná

Qualquer tipo de arte possibilita o olhar reflexivo sobre fatos e acontecimentos do cotidiano. Quando a arte mostra uma perspectiva contundente de algo que está presente na vida das pessoas, passa a ter uma função não só estética, mas também social. Esse é um dos objetivos centrais da montagem Amoradores de Rua, que propõe uma discussão sobre o espaço urbano e sua utilização; a rua e sua representação no espaço público e político; seus moradores, transeuntes, trabalhadores; todos aqueles que figuram como personagens sem nome nesse espaço.

Com essa proposta, o projeto Amoradores de Rua foi aprovado pela Funarte e realizou um profundo estudo que está resultando em diversos produtos. A montagem é o primeiro deles e conta trechos fragmentados, não-lineares, da vida de um grupo de moradores de rua. Além da peça, um vídeo documentário, uma exposição de fotos, oficina e debates farão parte dos eventos paralelos que serão promovidos durante a temporada, que termina no dia 11 de abril.

A montagem só foi possível porque reuniu uma equipe multidisciplinar formada por atores, produtores, arquitetos urbanistas, artistas plásticos, fotógrafos e videomakers, a qual mergulhou no universo da rua, de novembro de 2009 até janeiro de 2010. Para entender o que se passa no espaço urbano e criar o texto da montagem a partir de referências diversas. “Amoradores de Rua é um teatro de investigação, não tomando partido das situações e abrindo espaço para questionamentos”, diz o diretor da peça Rafael Camargo.

A rua, que já foi espaço de convivência social, encontros e palco para manifestações de todos os tipos, hoje é um local de passagem. As pessoas que vivem na rua assistem ao ritmo sempre intenso de pessoas anônimas com histórias diversas e, de certa forma, sentem-se livres. Mas isso não significa que eles não tenham expectativas, vaidade e desejos, tudo em um ritmo próprio e diferente do que é considerado normal.

Discussão
A necessidade de se levantar um questionamento social e estético, por meio da linguagem teatral, explorando outras vertentes de criação, move o trabalho, sendo que por meio do processo de pesquisa colaborativa a rua assumiu papel de entidade catalisadora, de organismo vivo em constante movimento. Algumas referências deram base ao estudo e sustentaram a encenação: Modernismo, Tropicália, Beatniks, Contra Cultura, Cinema Novo e algumas considerações sobre filosofia.
“Nesse contexto, a rua surge como tradução da antropofagia, onde tudo é absorvido, resultando na formação de uma nova matéria, tal como o tropicalismo que se alimentou do pop estrangeiro e do modernismo, produzindo uma nova e dinâmica sonoridade e um diferente ponto de vista”, explica Rafael Camargo.

Sobre a montagem
O espetáculo utiliza ao todo sete locais do pátio da Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e tira o público de seu estado de conforto fazendo com que o público acompanhe todas as mudanças de ambientes, proporcionando sua interação total com elenco e o espaço aberto, foco de todo o processo de investigação.

O texto de Amoradores de Rua foi resultado de uma criação coletiva do grupo de pesquisa, a partir de trechos de conversa com pessoas da rua – ora lúcidos, ora alucinados - e das impressões dos próprios atores e equipe. O aproveitamento de materiais, típico de quem mora na rua, influenciou a montagem e está caracterizado nos cenários, figurinos e na trilha sonora do espetáculo. As cenas combinam desconforto e humor, o que pode causar uma certa estranheza.

Todo o registro da pesquisa realizada pelo grupo: vídeos, referências, fotos e depoimentos estão registrados no blog do projeto: www.amoradores.blogspot.com. A pesquisa tem despertado muito interesse do público em geral, pois desde a criação do blog, mais de 3.500 pessoas já passaram pelo ambiente virtual do espetáculo.

Este projeto integra o Prêmio Funarte de Teatro Miriam Muniz 2008 e tem o patrocínio da Petrobras e da ACF, além de importantes apoios locais: Universidade Federal do Paraná, Curso de Artes Cênicas da UFPR, Casa do Estudante Luterano Universitário, Projesom, Apta Gráfica e Editora, entre outros.

Festival de Teatro
A montagem teve a oportunidade de testar seu processo de trabalho no Festival de Teatro de Curitiba durante a programação do Fringe, utilizando como espaço o pátio da Reitoria. “A mostra obteve como retorno um grande interesse do público pela diversidade de linguagens utilizadas na montagem e pela montagem em si”, comenta Rafael Camargo.

A vida vista pela horizontal

Publicado em 29/03/2010 pelo Overmundo

A montagem Amoradores de Rua propõe uma discussão sobre o espaço urbano e sua utilização; a rua e sua representação no espaço público e político; seus moradores, transeuntes, trabalhadores; todos aqueles que figuram como personagens sem nome nesse espaço.
Com essa proposta, o projeto Amoradores de Rua foi aprovado pela Funarte e realizou um profundo estudo que está resultando em diversos produtos. A montagem é o primeiro deles e conta trechos fragmentados, não-lineares, da vida de um grupo de moradores de rua. Além da peça, um vídeo documentário, uma exposição de fotos, oficina e debates farão parte dos eventos paralelos que serão promovidos durante a temporada, que termina no dia 11 de abril.
A montagem só foi possível porque reuniu uma equipe multidisciplinar formada por atores, produtores, arquitetos urbanistas, artistas plásticos, fotógrafos e videomakers, a qual mergulhou no universo da rua, de novembro de 2009 até janeiro de 2010. Para entender o que se passa no espaço urbano e criar o texto da montagem a partir de referências diversas. “Amoradores de Rua é um teatro de investigação, não tomando partido das situações e abrindo espaço para questionamentos”, diz o diretor da peça Rafael Camargo.
A rua, que já foi espaço de convivência social, encontros e palco para manifestações de todos os tipos, hoje é um local de passagem. As pessoas que vivem na rua assistem ao ritmo sempre intenso de pessoas anônimas com histórias diversas e, de certa forma, sentem-se livres. Mas isso não significa que eles não tenham expectativas, vaidade e desejos, tudo em um ritmo próprio e diferente do que é considerado normal.

Agenda Cultural

Transmitido em 01/04/10 pelo Paraná TV - 1ª edição