Texto da peça "Amoradores de Rua" (cena 1)
Pelo ator Adriano Petermann
Obrigado por terem vindo a este encontro entre os visíveis e os invisíveis.
O espírito deste encontro é a Coragem, Liberdade e Alegria.
O propósito é divertir e fazer o que pensar.
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Reconhecimento
Texto da peça "Amoradores de Rua" (cena 2)
Pelo ator Diego Marchioro
Tupi or not Tupi
Essa é a minha voz! Essa é a minha voz!
Minha voz! Essa é a minha voz!
Brasil. Coragem. Tira a camisa Brasil
Só a consciência nos une. Vamos transgredir!
Chega de Homofobia Cordial! Vamos transgredir!
Vamos transformar o tabu em totem!
A cada gesto amoroso nosso. Verdadeiro.
A cada ejaculação prazerosa que nos escapa.
Trata-se de uma afirmação do nosso amor. Contra tudo e todos.
Dessa conquista grandiosa temos orgulho
A transfiguração do tabu em totem
Essa é a minha voz! Minha voz!
Brasil Coragem. Brasil
Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas
Política é a ciência da distribuição. Brasil!
A favor de um sistema social planetário
Mais fortes são os poderes do povo
Eu tiro minha camisa para você. E você, tira sua camisa para mim?
Eu não tenho nada, eu valorizo o que eu tenho. Saúde. Brasil. Coragem. Brasil
Contra a realidade social vestida e opressora cadastrada por Freud.
A realidade sem complexos,
Sem culpa, sem loucura, sem prostituições, sem penitenciária do matriarcado.
Brasil!
Eu me reconheço você se reconhece?
Sou preto, branco, verde, vermelho, marrom.
Tudo. Todos em si ninguém.
Transformemos o tabu em totem
Brasil. Coragem
Pelo ator Diego Marchioro
Tupi or not Tupi
Essa é a minha voz! Essa é a minha voz!
Minha voz! Essa é a minha voz!
Brasil. Coragem. Tira a camisa Brasil
Só a consciência nos une. Vamos transgredir!
Chega de Homofobia Cordial! Vamos transgredir!
Vamos transformar o tabu em totem!
A cada gesto amoroso nosso. Verdadeiro.
A cada ejaculação prazerosa que nos escapa.
Trata-se de uma afirmação do nosso amor. Contra tudo e todos.
Dessa conquista grandiosa temos orgulho
A transfiguração do tabu em totem
Essa é a minha voz! Minha voz!
Brasil Coragem. Brasil
Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas
Política é a ciência da distribuição. Brasil!
A favor de um sistema social planetário
Mais fortes são os poderes do povo
Eu tiro minha camisa para você. E você, tira sua camisa para mim?
Eu não tenho nada, eu valorizo o que eu tenho. Saúde. Brasil. Coragem. Brasil
Contra a realidade social vestida e opressora cadastrada por Freud.
A realidade sem complexos,
Sem culpa, sem loucura, sem prostituições, sem penitenciária do matriarcado.
Brasil!
Eu me reconheço você se reconhece?
Sou preto, branco, verde, vermelho, marrom.
Tudo. Todos em si ninguém.
Transformemos o tabu em totem
Brasil. Coragem
Matilha
Texto da peça "Amoradores de Rua" (cena 3)
Pela atriz Martina Gallarza
Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas e cadaverizadas.
Contra o stop do pensamento que é dinâmico.
O indivíduo vítima do sistema.
Fonte das injustiças clássicas e das insjustiças românticas.
E o esquecimento das conquistas interiores.
A unha?
É vermelho Sangueseco.
Tenho varizes nas pernas.
O pau no cú chupa buceta
mas gosta de pau.
gosta sim!
não só de pau
mas de verdura também,
as vezes ele pede
as vezes ele traz!
A cadela que pariu escondeu a cria.
Em que favela em que ruela?
Sumiu com eles pra viver sua vida de cadela.
A cria não se cria.
As tetas da Cadela são oito
E não dão pra doze.
Mas a cadela amamenta doze.
O bebe morreu!
Joguei no vazo, caguei, sangrei
Vomitei ele também
Me dá a coleira!
Gosto de sapatos...
Cadê os ratos de Curitiba?
Os ratos de Curitiba
Estão entre as putas do passeio
E da treze de maio.
Eles são como elas,
Eles são iguais aos cães da matilha da praça 19
Eles são os moradores da rua
O taxista quem disse!
É ele quem da comida pros pombos
Que cagam as sementes nas terras adubadas
Dos vasos das sacadas do centro da cidade
Arrasto meias arrastão!
Arrasto meias arrastão!
Eu queria dormir na grama fria
Mas é lua cheia. É cio!
Fodeu!
Os machos cão querem foder o cuzinho delas
A mãe das putas repousa agora medicada.
Perdeu a calcinha...
E o vestido da noiva? Agora é lixo!
E tudo isso são os homens!
Os impares, os trocadilo, os espertos ao contrario!
Solução social é o caralho!
Nada diminui a violência entre os homens.
Nenhum sentido em pintar de cor de rosa as unhas dos cães.
ISSO AQUI É A CASA DO CARALHO!!!!!!!!!!!!!!!!
Contra a memória fonte do costume.
A experiência pessoal renovada.
Somos concretistas.
As idéias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas.
Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.
Pela atriz Martina Gallarza
Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas e cadaverizadas.
Contra o stop do pensamento que é dinâmico.
O indivíduo vítima do sistema.
Fonte das injustiças clássicas e das insjustiças românticas.
E o esquecimento das conquistas interiores.
A unha?
É vermelho Sangueseco.
Tenho varizes nas pernas.
O pau no cú chupa buceta
mas gosta de pau.
gosta sim!
não só de pau
mas de verdura também,
as vezes ele pede
as vezes ele traz!
A cadela que pariu escondeu a cria.
Em que favela em que ruela?
Sumiu com eles pra viver sua vida de cadela.
A cria não se cria.
As tetas da Cadela são oito
E não dão pra doze.
Mas a cadela amamenta doze.
O bebe morreu!
Joguei no vazo, caguei, sangrei
Vomitei ele também
Me dá a coleira!
Gosto de sapatos...
Cadê os ratos de Curitiba?
Os ratos de Curitiba
Estão entre as putas do passeio
E da treze de maio.
Eles são como elas,
Eles são iguais aos cães da matilha da praça 19
Eles são os moradores da rua
O taxista quem disse!
É ele quem da comida pros pombos
Que cagam as sementes nas terras adubadas
Dos vasos das sacadas do centro da cidade
Arrasto meias arrastão!
Arrasto meias arrastão!
Eu queria dormir na grama fria
Mas é lua cheia. É cio!
Fodeu!
Os machos cão querem foder o cuzinho delas
A mãe das putas repousa agora medicada.
Perdeu a calcinha...
E o vestido da noiva? Agora é lixo!
E tudo isso são os homens!
Os impares, os trocadilo, os espertos ao contrario!
Solução social é o caralho!
Nada diminui a violência entre os homens.
Nenhum sentido em pintar de cor de rosa as unhas dos cães.
ISSO AQUI É A CASA DO CARALHO!!!!!!!!!!!!!!!!
Contra a memória fonte do costume.
A experiência pessoal renovada.
Somos concretistas.
As idéias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas.
Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.
Inferno
Texto da peça "Amoradores de Rua" (cena 4)
Pelo ator Marcel Szymanski
Pelo ator Marcel Szymanski
Brasil – Vai tomar no cú!!!
Sinto o cheiro, sinto o cheiro, sinto o cheiro, sinto o cheiro, sinto o fedor.
Filho da puta de quem vê a vida na horizontal.
A mentira tem perna bonita: quanto mais parece, mais parece e menos é.
Se ele é por nós, nós estamos fudidos!
Onde quer que haja a palavra divina, há de haver inferno!
Senhores não se encham de ilusão, o homem vive só de podridão!
Senhores não se encham de ilusão, o homem vive só de podridão!
Que bom seria se fôssemos todos merda! Talvez não sentiríamos essa dor no cú!
Silêncio!!!
O silêncio, é tão frio quanto o inferno da vida.
O inferno é, o inferno é, o inferno é, o inferno é, o inferno é, o inferno é, o inferno é,
O inferno... é o inferno!!!
Senhores não se encham de ilusão, o homem vive só de podridão!
Senhores não se encham de ilusão, o homem vive só de podridão!
Onde está o dedo dele? Um olho aberto e outro fechado pro mundo. Vendo minha alma, mas não meu pensamento.
Senhores não se encham de ilusão, o homem vive só de podridão!
Senhores não se encham de ilusão, o homem vive só de podridão!
Agora resumindo, pra fechar a idéia: filho da puta de quem vê a vida na horizontal! Se ele é por nós, nós estamos fudidos! O inferno é o inferno! E não vou nem falar do céu, porque isso não me cabe. Vendo minha alma, mas não meu pensamento.
Nunca fomos catequizados, vivemos através de um direito sonâmbulo.
Nunca fomos catequizados, fizemos foi carnaval: o índio vestido de senador do império, cheio de bons sentimentos portugueses. A nossa independência ainda não foi proclamada.
Muita saúva e pouca saúde, é disso que o Brasil padece.
E pra quem ainda não experimentou: vai tomar no cú!!!
Coro – Vai tomar no cú, bem no meio do olho do seu cú!
Sinto o cheiro, sinto o cheiro, sinto o cheiro, sinto o cheiro, sinto o fedor.
Filho da puta de quem vê a vida na horizontal.
A mentira tem perna bonita: quanto mais parece, mais parece e menos é.
Se ele é por nós, nós estamos fudidos!
Onde quer que haja a palavra divina, há de haver inferno!
Senhores não se encham de ilusão, o homem vive só de podridão!
Senhores não se encham de ilusão, o homem vive só de podridão!
Que bom seria se fôssemos todos merda! Talvez não sentiríamos essa dor no cú!
Silêncio!!!
O silêncio, é tão frio quanto o inferno da vida.
O inferno é, o inferno é, o inferno é, o inferno é, o inferno é, o inferno é, o inferno é,
O inferno... é o inferno!!!
Senhores não se encham de ilusão, o homem vive só de podridão!
Senhores não se encham de ilusão, o homem vive só de podridão!
Onde está o dedo dele? Um olho aberto e outro fechado pro mundo. Vendo minha alma, mas não meu pensamento.
Senhores não se encham de ilusão, o homem vive só de podridão!
Senhores não se encham de ilusão, o homem vive só de podridão!
Agora resumindo, pra fechar a idéia: filho da puta de quem vê a vida na horizontal! Se ele é por nós, nós estamos fudidos! O inferno é o inferno! E não vou nem falar do céu, porque isso não me cabe. Vendo minha alma, mas não meu pensamento.
Nunca fomos catequizados, vivemos através de um direito sonâmbulo.
Nunca fomos catequizados, fizemos foi carnaval: o índio vestido de senador do império, cheio de bons sentimentos portugueses. A nossa independência ainda não foi proclamada.
Muita saúva e pouca saúde, é disso que o Brasil padece.
E pra quem ainda não experimentou: vai tomar no cú!!!
Coro – Vai tomar no cú, bem no meio do olho do seu cú!
Céu
Texto da peça "Amoradores de Rua" (cena 5)
Pelo ator Felipe de Souza
Pelo ator Felipe de Souza
“Zaratustra, porém, ao ficar sozinho falou assim ao seu coração: Será que este santo ancião ainda não ouviu que Deus já morreu?”
Eu Deus. Eu tudo. Eu Feliz. Eu livre. Eu superman. Vai toma no cú! Eu foi. Eu vacinas. Eu céu. Eu chuva. Eu voz. Eu morte. Eu mentiras. Eu salvação. Eu desesperados. Eu mortes. Eu comida. Eu amores. Eu fraco. Eu frágil. Todos. Forte Super-homem.
“Ai Meu irmãos! Este Deus que eu criei era obra humana e humano delírio, como os demais Deuses.”
Faca faca corta carne, faca segue, faca sangue, faca calor, faca quente, faca mata, faca morre, faca cabo, acabo, a faca corta.
“Contra as sublisblimações antagônicas trazidas nas caravelas, a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, é mentira muitas vezes repetida...”
A certeza é que do céu vem chuva, molha depois seca, volta tudo quase igual, se não fossem as peculiaridades dos instantes que processam as coisas no tempo o tempo o tempo esse que é o nó, nó, nó, nó, nó nó, nó...
Eu Deus. Eu tudo. Eu Feliz. Eu livre. Eu superman. Vai toma no cú! Eu foi. Eu vacinas. Eu céu. Eu chuva. Eu voz. Eu morte. Eu mentiras. Eu salvação. Eu desesperados. Eu mortes. Eu comida. Eu amores. Eu fraco. Eu frágil. Todos. Forte Super-homem.
“Ai Meu irmãos! Este Deus que eu criei era obra humana e humano delírio, como os demais Deuses.”
Faca faca corta carne, faca segue, faca sangue, faca calor, faca quente, faca mata, faca morre, faca cabo, acabo, a faca corta.
“Contra as sublisblimações antagônicas trazidas nas caravelas, a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, é mentira muitas vezes repetida...”
A certeza é que do céu vem chuva, molha depois seca, volta tudo quase igual, se não fossem as peculiaridades dos instantes que processam as coisas no tempo o tempo o tempo esse que é o nó, nó, nó, nó, nó nó, nó...
Purificação
Texto da peça "Amoradores de Rua" (cena 6)
Pelo ator Maurício Vogue
(Marcel)
Limpa a sujeira da barriga do homem que não consegue mais ser ele mesmo, porque assim começa a vida!
(Martina)
Aqui o sagrado é como o nada.
O nada, limpa a alma
Para significar a rua de cada dia.
(Felipe)
Limpa, limpa, limpa, a sujeira da tua poesia que já não fala mais nada pra ninguém.
(Diego)
Estamos despidos do complexo de inferioridade do mundo.
Chega de homofobia cordial.
(Adriano)
Livres dos pestiches das modas artísticas do mundo afluente. Estamos inocentes no estado bruto da criação.
(Todos)
Só a antropofagia nos une. Socialmente, economicamente, filosoficamente. Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.
Tupi, or not tupi that is the question.
Pelo ator Maurício Vogue
(Marcel)
Limpa a sujeira da barriga do homem que não consegue mais ser ele mesmo, porque assim começa a vida!
(Martina)
Aqui o sagrado é como o nada.
O nada, limpa a alma
Para significar a rua de cada dia.
(Felipe)
Limpa, limpa, limpa, a sujeira da tua poesia que já não fala mais nada pra ninguém.
(Diego)
Estamos despidos do complexo de inferioridade do mundo.
Chega de homofobia cordial.
(Adriano)
Livres dos pestiches das modas artísticas do mundo afluente. Estamos inocentes no estado bruto da criação.
(Todos)
Só a antropofagia nos une. Socialmente, economicamente, filosoficamente. Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.
Tupi, or not tupi that is the question.
Carnaval
Texto da peça "Amoradores de Rua" (cena 7)
Pelo ator Adriano Petermann
Pelo ator Adriano Petermann
Então o Carnaval vem do tempo dos homens primeiros aqueles que cantavam e dançavam sem nenhum pudor então eles cantavam e dançavam e rodavam e se travestiam para tentar atingir um instante de vertigem um momento de todo mundo girando para que eles pudessem sair de si e experimentar um pouco mais do outro e experimentando o outro eles pudessem gozar da carne do ócio do ópio do álcool do sexo da violência e de tudo aquilo que oprime de tudo que é agonia o Carnaval não é o final é o início é o capricho é o poder é ir além é não ter medo de comer o cú é não ter medo de dar o cú é não ter medo do torpor é não ter medo do vício é desaparecer na multidão é todo mundo pulando juntinho pipocando acentuando é porra voando e fecundando o chão os homens os deuses e tudo que ali existe o sol a lua o som a luz as estrelas o céu as nuvens tudo tudo tudo tem fumaça então o carnaval é feito cachaça é feito pau cú buceta efeito ópio é a desgraça para atingir a graça é pipoca pulando numa panela suja de óleo diesel é lama lama lama lama até dentro do rabo nas orelhas no couro cabeludo é isso que eu quero é isso que eu busco neste carnaval tudo de bem e de mal um entrando no outro e virando bicho para que então possamos ver como bichos cheirar como bichos comer como bichos sentir como bichos e ser bichos para que talvez então retornemos ao animal que já fomos um dia para poder brincar um carnaval feito gente grande aí então serei eu só só eu e ninguém mais eu e meus instintos eu e meus desejos eu solto no mundo eu louco de pedra aí meu mundo é meu aí meu mundo me entendeu só eu aí na rua aí no mundo e não mais aquele escravo do próprio conforto de não ser ninguém porque ninguém chama mais atenção eu não eu não eu prefiro assim eu na contra mão prestes a me espatifar em um trem automóvel ou caminhão para então morrer e nascer e renascer todos os dias da minha vida o carnaval é um rasgo no tempo e no espaço tudo é possível não há Deus tudo é possível aí eu tipo assim um saci uma lenda aí então eu atingi o cume eu atingi o cume só o cume interessa aí então tudo de novo tudo igual até o próximo carnaval tipo pedal de bicicleta que vai girando girando girando girando girando até te secar secar teu líquido teus sais mineirais até você virar caveira e caveira é carbono e com carbono se indentifica se qualifica se quantifica se alivia alívio alívio alívio
Obrigado por terem vindo a este encontro entre os visíveis e os invisíveis.
Muito Obrigado!
Muito Obrigado!
Amor e dor são extremos muito próximos
Amor às dores e realidade
Postado por Felipe de Souza
Novembro 2009
Que é realidade?
poderia dizer que uma certa construção cultura, pautada na própria história individualNovembro 2009
Que é realidade?
ou apenas o presente, o momento instantâneo, ou ainda transformar ilusões em realidades subjetivas ou objetivas;
Podemos ver nesses amoradores de rua que o real e o ilusório se misturam em seus íntimos
e que isto é profundamente humano
que todos nós estamos imersos em uma idéia do que é real, e mais curioso, uma idéia particular;
Isto partindo do ponto que realidade concreta é a natureza natural;
Andersons, Estamiras, Isabeis nos apresentam um mundo manipulavel, que se percebermos um pouco melhor a nós mesmos, notamos como somos ilusões reais, criações que criam, que são criadas por suas criações, e assim por diante;
As dores, os amores, felicidades e tristezas, fome e vicio, sofrimento e euforia, saudades e esquecimento, por que isto deveria sumir ao dormir no relento no cimento?
nesse momento pesquei, e humenidade, essa colcha de retalhos toda rasgada, compartilhando a maior ilusão de todas: a certeza
certeza que certo ou errado, lindo ou ridículo, enfim mil maniqueismos, dividindo os seres iludidum em microcosmos individuais, que hora desfaz a colcha e hora se refaz.
Certe vez disse Noemi
" eu gostaria que o povo fosse mais realista, sonha menos, né, vive menas ilusões,
olha mais de frente a realidade, assim tornaria as coisas mais..."
"o povo busca muita ilusão, muita ilusão"
"agente vê né, não é questão de achar; aquilo que agente vive não é mesmo?"
" tipo uma situação igual aquela ali, pode se fazer um drama, não é mesmo(?), mas não é real é uma ilusão, certo, a realidade é bem diferente; então é isso que eu pediria, olha mais a realidade; dramatizar menos, ser mais real."
Estamira
Estamira.
Estamira é uma mistura de céu,
fogo e descuido
Mira,veja..
Mira esta..
este modo particular de ver..
ela além..desencarnada ,escrachada ,judiada..
profetisa
poetisa
atriz..
o além e o além do além onde o homem não conhece.
me encanta seus "trocadilos"
Estamira é a beira do mundo
a margem..
a maior fonte de inspiração.
Giovana de Liz
(atriz - colaboradora do projeto Amoradores de Rua)
Estamira é uma mistura de céu,
fogo e descuido
Mira,veja..
Mira esta..
este modo particular de ver..
ela além..desencarnada ,escrachada ,judiada..
profetisa
poetisa
atriz..
o além e o além do além onde o homem não conhece.
me encanta seus "trocadilos"
Estamira é a beira do mundo
a margem..
a maior fonte de inspiração.
Giovana de Liz
(atriz - colaboradora do projeto Amoradores de Rua)
Amor a dores de rua
Impressões de Rafael Camargo, diretor do projeto Amoradores
Novembro de 2009
Novembro de 2009
Drama!
Dores de mãe, de pai, de filhos...
A rua como a grande casa, recebendo todos na madrugada tensa.
Quem são estes seres invisíveis que como fantasmas habitam as ruas a Deus dará, formando um espectro de abandono e dor.
Amiguinhos eventuais de uma vida toda, vida “torta” escolhida e assumida, parceira da vergonha e da humilhação.
Alguma coisa grita estampada na cara machucada, nos corpos imundos, no sexo promíscuo e lascivo, na promessa de um futuro frágil como o cobertor que não esquenta na calçada fria.
A cachaça, a pedra, o tiner, anestesiando a dor que deveras sente, num misto de alucinação e febre, vagam os amiguinhos pra qualquer canto que acolha, múltipla escolha que vai dar no mesmo lugar.
Caleidoscópio de gente, mosaico da dor humana, sombra no escuro do escuro, do escuro da luz.
Mas eu vi um sorriso, alguns impressionantes sorrisos que me comoveram mais que a dor. Uma força estranha, misto de fé e desapego, liberdade absoluta, jorro de coragem.
Aí acontece o mergulho, o salto sem volta, sem medo, sem susto, sem culpa! Mistério da vida...
Dores de mãe, de pai, de filhos...
A rua como a grande casa, recebendo todos na madrugada tensa.
Quem são estes seres invisíveis que como fantasmas habitam as ruas a Deus dará, formando um espectro de abandono e dor.
Amiguinhos eventuais de uma vida toda, vida “torta” escolhida e assumida, parceira da vergonha e da humilhação.
Alguma coisa grita estampada na cara machucada, nos corpos imundos, no sexo promíscuo e lascivo, na promessa de um futuro frágil como o cobertor que não esquenta na calçada fria.
A cachaça, a pedra, o tiner, anestesiando a dor que deveras sente, num misto de alucinação e febre, vagam os amiguinhos pra qualquer canto que acolha, múltipla escolha que vai dar no mesmo lugar.
Caleidoscópio de gente, mosaico da dor humana, sombra no escuro do escuro, do escuro da luz.
Mas eu vi um sorriso, alguns impressionantes sorrisos que me comoveram mais que a dor. Uma força estranha, misto de fé e desapego, liberdade absoluta, jorro de coragem.
Aí acontece o mergulho, o salto sem volta, sem medo, sem susto, sem culpa! Mistério da vida...
Amor... Dor... Moradores de RUA... AMORADORES
(situação de rua, vida na rua, existência, humanidades)
Por Diego Marchioro, ator / pesquisador do projeto.
Novembro de 2009
Por Diego Marchioro, ator / pesquisador do projeto.
Novembro de 2009
Em minhas primeiras impressões da pesquisa, vendo os moradores, sinto o quão difícil é falar sobre o que me aflige os olhos e toca na alma, faz repensar tudo que sou, somos.
Sobre nossa relação com o outros, todas as diferenças e preconceitos. Ver os conflitos, semelhanças, anseios comuns a qualquer homem, vivenciados por estes passantes, moradores, habitantes, sobreviventes da RUA. Observo as histórias, os conflitos mais humanos enfrentados por eles e tento compreender ao menos um pouco estas situações.
Num instante na minha cabeça tentando entender as histórias e situações, como pensam. Parece que tudo entra em conflito; sofrimento, bases sociais, direitos humanos, condição, acaso, miséria, opção, realidade, loucura, utopia, educação, discriminação, exclusão... A contradição de todas as condições deles "Amoradores", tudo, absolutamente tudo entra em questão e surge a dor, libertade, amor e até nossa brasileira alegria. Uma pontinha de vida revelada no brilho dos olhos deles.
Pela frente muita calçada, muito asfalto, muita marquise pra percorrer e um desejo misto de fazer política, social, conhecer as condições, situações transformar em teatro, em arte. Revelar e enaltecer estas pessoas escondidas, perdidas, não aceitas e muitas vezes esquecidas.
Falar do homem no meio da rua, na condição mais pura e realista do homem, desprotegido, desprovido, desabrigado. A mercê da liberdade da vida. Por acaso, escolha ou conseqüência, corpos flutuantes do espaço urbano. Seres humanos esquecidos pelo acaso ou escolha de serem esquecidos.
Na rua todo homem é passível de queda, mas nem todo homem é auxiliado a ser reerguido.
O Sítio
Brasil, Região Sul do país, Curitiba. Capital social e de muitos mais títulos. Um dos invernos mais rígidos do país. E “contraditoriamente” a segunda cidade com maior índice de pessoas em situação de rua do país.
“Contraditoriamente”?
No Brasil quanto mais às cidades crescem, maior é o numero de suas qualidades e defeitos. Tanto maiores os medos, as pessoas se fecham e se protegem umas das outras, se afastam do meio, do que é social, da sociabilidade com o outro indivíduo.
Surgem as Ações Sociais, Campanhas, Fundações, Planos Governamentais e etc... Instituições que aos poucos se revelam apenas quantitativas, burocratizadas, engessadas para as condições de cada indivíduo. Tornam-se apenas orgãos de ações organizacionais e falíveis.
Cada vez mais vejo que as instituições precisam se humanizar. Se aproximarem mais das pessoas que tentam ajudar. Que procurem entender com mais profundidade a realidade dos moradores e pessoas em estado de rua, seus conflitos e motivações. Para então poderem auxiliá-los de maneira mais construtiva conforme suas necessidades e anseios. E não apenas procurar encaixa-los ou excluí-los da sociedade.
"Ai a gente bebe, usa droga, pros outros acharem que a gente é feliz."
“Eu tiro minha blusa pra você. E você tira sua blusa pra mim?”
(Claudinéia Rosa, moradora de rua entrevistada no projeto Amoradores)
Sobre nossa relação com o outros, todas as diferenças e preconceitos. Ver os conflitos, semelhanças, anseios comuns a qualquer homem, vivenciados por estes passantes, moradores, habitantes, sobreviventes da RUA. Observo as histórias, os conflitos mais humanos enfrentados por eles e tento compreender ao menos um pouco estas situações.
Num instante na minha cabeça tentando entender as histórias e situações, como pensam. Parece que tudo entra em conflito; sofrimento, bases sociais, direitos humanos, condição, acaso, miséria, opção, realidade, loucura, utopia, educação, discriminação, exclusão... A contradição de todas as condições deles "Amoradores", tudo, absolutamente tudo entra em questão e surge a dor, libertade, amor e até nossa brasileira alegria. Uma pontinha de vida revelada no brilho dos olhos deles.
Pela frente muita calçada, muito asfalto, muita marquise pra percorrer e um desejo misto de fazer política, social, conhecer as condições, situações transformar em teatro, em arte. Revelar e enaltecer estas pessoas escondidas, perdidas, não aceitas e muitas vezes esquecidas.
Falar do homem no meio da rua, na condição mais pura e realista do homem, desprotegido, desprovido, desabrigado. A mercê da liberdade da vida. Por acaso, escolha ou conseqüência, corpos flutuantes do espaço urbano. Seres humanos esquecidos pelo acaso ou escolha de serem esquecidos.
Na rua todo homem é passível de queda, mas nem todo homem é auxiliado a ser reerguido.
O Sítio
Brasil, Região Sul do país, Curitiba. Capital social e de muitos mais títulos. Um dos invernos mais rígidos do país. E “contraditoriamente” a segunda cidade com maior índice de pessoas em situação de rua do país.
“Contraditoriamente”?
No Brasil quanto mais às cidades crescem, maior é o numero de suas qualidades e defeitos. Tanto maiores os medos, as pessoas se fecham e se protegem umas das outras, se afastam do meio, do que é social, da sociabilidade com o outro indivíduo.
Surgem as Ações Sociais, Campanhas, Fundações, Planos Governamentais e etc... Instituições que aos poucos se revelam apenas quantitativas, burocratizadas, engessadas para as condições de cada indivíduo. Tornam-se apenas orgãos de ações organizacionais e falíveis.
Cada vez mais vejo que as instituições precisam se humanizar. Se aproximarem mais das pessoas que tentam ajudar. Que procurem entender com mais profundidade a realidade dos moradores e pessoas em estado de rua, seus conflitos e motivações. Para então poderem auxiliá-los de maneira mais construtiva conforme suas necessidades e anseios. E não apenas procurar encaixa-los ou excluí-los da sociedade.
"Ai a gente bebe, usa droga, pros outros acharem que a gente é feliz."
“Eu tiro minha blusa pra você. E você tira sua blusa pra mim?”
(Claudinéia Rosa, moradora de rua entrevistada no projeto Amoradores)
Alegria...
Primeiras impressões de Marcel Szymanski, ator do projeto Amoradores
Novembro de 2009
São tantas emoções... rs
Abrindo os olhos para os depoimentos desses amoradores, me recordo que muitas vezes tive a mesma vontade: queria me libertar de tanto amor e tanta dor.
Então me via na rua, sozinho.
Eu.
Meus amores e minhas dores.
A rua traz muita liberdade.
Liberdade onde se encerram as dores e os amores.
Olhando pra eles - os amoradores - vejo muito de mim, de nós.
De minha mãe, de nossas mães.
E então percebo que dentro de mim tem uma imensa rua onde moram todos eles.
Um encontro oportuno entre pessoas com a mesma vontade.
Vontade de oportunizar.
Vontade de tornar visível aquilo que já é.
"(...) Seja como for a vida, de tão interessante que é a todos os momentos, a vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger, a dar vontade de dar pulos, de ficar no chão, de sair para fora de todas as casas, de todas as lógicas, de todas as sacadas e ir ser selvagem entre árvores e esquecimentos." (Álvaro de Campos)
Minha rua está em obras...
Novembro de 2009
São tantas emoções... rs
Abrindo os olhos para os depoimentos desses amoradores, me recordo que muitas vezes tive a mesma vontade: queria me libertar de tanto amor e tanta dor.
Então me via na rua, sozinho.
Eu.
Meus amores e minhas dores.
A rua traz muita liberdade.
Liberdade onde se encerram as dores e os amores.
Olhando pra eles - os amoradores - vejo muito de mim, de nós.
De minha mãe, de nossas mães.
E então percebo que dentro de mim tem uma imensa rua onde moram todos eles.
Um encontro oportuno entre pessoas com a mesma vontade.
Vontade de oportunizar.
Vontade de tornar visível aquilo que já é.
"(...) Seja como for a vida, de tão interessante que é a todos os momentos, a vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger, a dar vontade de dar pulos, de ficar no chão, de sair para fora de todas as casas, de todas as lógicas, de todas as sacadas e ir ser selvagem entre árvores e esquecimentos." (Álvaro de Campos)
Minha rua está em obras...
De volta à rua!
Impressões de Maria Baptista, cenógrafa do projeto Amoradores
Novembro de 2009
Novembro de 2009
A rua pra mim é o lugar mais interessante da cidade, onde se misturam idéias, passos, caras, vozes e cores. Não tem começo nem fim, é de todos e é de ninguém. A rua pra mim é de brincar, é de concreto, é abstrata, é de passar ligeiro, é de morar.
O que mais me encanta na rua é ver que cada personagem tem suas histórias de dores e amores. E no fim das contas, somos todos loucos amoradores!
O que mais me encanta na rua é ver que cada personagem tem suas histórias de dores e amores. E no fim das contas, somos todos loucos amoradores!
Na rua, numa boa
Impressões de Gabriel Gallarza, cenógrafo do projeto Amoradores
Novembro de 2009
Novembro de 2009
Que emoção ambígua conhecer estes personagens moradores de rua.
O primeiro pensamento que surge é da desgraça desta vida suja, fria e faminta.
Depois, de seus olhares e palavras sou invadido por uma sensação de paz, de liberdade, de integridade perante a vida.
Vou percebendo que estas pessoas carregam lembranças, sonhos e desejos muito parecidos com os meus, então elas vão ficando mais próximas, mais reais e menos invisíveis.
A sociedade está cheia de pessoas em condição de rua. Triste?
Sim, não, talvez, porém...
Na tentativa de fugir dos estigmas do tipo favelado-bandido, estudo o morador de rua-coitado e lembro das infinitas outras pessoas nas casas, nas fábricas, nos almoços de família, nas repartições, tão mal tratadas, sonhando com mais liberdade, mais amor, menos dor, que o adjetivo desta condição fica suspenso, móvel, aberto.
A rua é espaço de fluxo, é espaço de conflito,
é espaço de encontro, é espaço de atrito,
é espaço pra gente querer estar
numa boa, sem parecer excluído.
O primeiro pensamento que surge é da desgraça desta vida suja, fria e faminta.
Depois, de seus olhares e palavras sou invadido por uma sensação de paz, de liberdade, de integridade perante a vida.
Vou percebendo que estas pessoas carregam lembranças, sonhos e desejos muito parecidos com os meus, então elas vão ficando mais próximas, mais reais e menos invisíveis.
A sociedade está cheia de pessoas em condição de rua. Triste?
Sim, não, talvez, porém...
Na tentativa de fugir dos estigmas do tipo favelado-bandido, estudo o morador de rua-coitado e lembro das infinitas outras pessoas nas casas, nas fábricas, nos almoços de família, nas repartições, tão mal tratadas, sonhando com mais liberdade, mais amor, menos dor, que o adjetivo desta condição fica suspenso, móvel, aberto.
A rua é espaço de fluxo, é espaço de conflito,
é espaço de encontro, é espaço de atrito,
é espaço pra gente querer estar
numa boa, sem parecer excluído.
Amorandar é a ordem!
Post de Leco de Souza, fotógrafo e artista visual do projeto Amoradores
Novembro de 2009
Um ano depois, tavez uns cinco amadurecidos...
Amorandar é a ordem!
"Brejo da Cruz"
A novidade
Que tem no Brejo da Cruz
É a criançada
Se alimentar de luz
Alucinados
Meninos ficando azuis
E desencarnando
Lá no Brejo da Cruz
Eletrizados
Cruzam os céus do Brasil
Na rodoviária
Assumem formas mil
Uns vendem fumo
Tem uns que viram Jesus
Muito sanfoneiro
Cego tocando blues
Uns têm saudade
E dançam maracatus
Uns atiram pedra
Outros passeiam nus
Mas há milhões desses seres
Que se disfarçam tão bem
Que ninguém pergunta
De onde essa gente vem
São jardineiros
Guardas noturnos, casais
São passageiros
Bombeiros e babás
Já nem se lembram
Que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças
E que comiam luz
São faxineiros
Balançam nas construções
São bilheteiras
Baleiros e garçons
Já nem se lembram
Que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças
E que comiam luz
(Chico Buarque)
Novembro de 2009
Um ano depois, tavez uns cinco amadurecidos...
Amorandar é a ordem!
"Brejo da Cruz"
A novidade
Que tem no Brejo da Cruz
É a criançada
Se alimentar de luz
Alucinados
Meninos ficando azuis
E desencarnando
Lá no Brejo da Cruz
Eletrizados
Cruzam os céus do Brasil
Na rodoviária
Assumem formas mil
Uns vendem fumo
Tem uns que viram Jesus
Muito sanfoneiro
Cego tocando blues
Uns têm saudade
E dançam maracatus
Uns atiram pedra
Outros passeiam nus
Mas há milhões desses seres
Que se disfarçam tão bem
Que ninguém pergunta
De onde essa gente vem
São jardineiros
Guardas noturnos, casais
São passageiros
Bombeiros e babás
Já nem se lembram
Que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças
E que comiam luz
São faxineiros
Balançam nas construções
São bilheteiras
Baleiros e garçons
Já nem se lembram
Que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças
E que comiam luz
(Chico Buarque)
Nossos amores!!
Impressões de Pedro Inoue, ator do projeto Amoradores
Novembro de 2009
Novembro de 2009
Nas entrevistas assistimos diversos amores, passados, traumas, diversos mundos, todos da rua, personagens reais que vivem o limite entre a realidade e a loucura, uns mais sensatos outros mais loucos, muitos com saudade de suas mães e de seus filhos, nas entrevistas alguns desabafos algumas viagens, moradores sinceros e atores da rua.
Os registros me fizeram ver que muitas dessas pessoas estão sempre no nosso dia a dia e nem notamos quão especial elas são, como cada historia de vida de um desses “esquecidos” é muito valiosa, ver toda a equipe entrando na mesma vibe, se emocionando rindo descobrindo, entrando na vida de cada uma dessas figuras que estão sempre a nossa volta. Os micróbios: Martina Fe e Leco servindo as vezes de ombro para os solitários moradores. Tudo muito bom e precioso.
Os registros me fizeram ver que muitas dessas pessoas estão sempre no nosso dia a dia e nem notamos quão especial elas são, como cada historia de vida de um desses “esquecidos” é muito valiosa, ver toda a equipe entrando na mesma vibe, se emocionando rindo descobrindo, entrando na vida de cada uma dessas figuras que estão sempre a nossa volta. Os micróbios: Martina Fe e Leco servindo as vezes de ombro para os solitários moradores. Tudo muito bom e precioso.
Amorandar...
Impressões de Martina Gallarza, atriz do projeto Amoradores
Novembro de 2009
Novembro de 2009
Dos primeiros impulsos, aos passos dados, ao grande encontro e agora ao reencontro...
Muitas coisas aconteceram na minha vida neste último ano e olhar pela primeira vez para as imagens brutas do Amoradores no momento em que amor e dor, conversam de novo, tão bem com meu estado de espírito é no mínimo curioso...
Impressões, bom, todas as possíveis e imagináveis, mas na verdade, muito mais amplas do que todas tidas durante as entrevistas, estar lá é uma sensação, ou melhor, um conjunto “x” de sensações, assistir a todas elas um ano depois, cercada de comentários e expressões do conjunto de pessoas que somos hoje no início do projeto é realmente muito maior do que eu poderia esperar.
Particularmente, fiz uma viagem no tempo, desde o momento em que este projeto nasceu dentro de mim, depois lembrei do Le e Fe topando a empreitada de sairmos pelas ruas de Curitiba entrevistando todas as pessoas que poderíamos encontrar e que se sentissem a vontade de conversar um pouco conosco, as nossas dificuldades técnicas, até a elaboração do projeto e o convite, feito tão a dedo a todos que hoje participam da pesquisa.
Hoje vejo, que fomos na maioria das vezes muito bem recebidos e que corações se abriram lindamente para nossos olhares e ouvidos curiosos.Cheguei muitas vezes a me questionar sobre usar o AMOR e a DOR, como “temas”, mas quando assisti aos depoimentos, tive a certeza de que na rua dos que moram, habitam, passam, enfim, de todos nós, esses assuntos de fato sempre farão parte.
Foi delicioso, ouvir de novo todas aquelas histórias, fiquei me perguntando há quanto tempo aquelas pessoas não falavam daqueles assuntos, há quanto tempo alguém não lhes perguntava como se sentiam, como percebiam a vida, suas lembranças e escolhas, se é que alguma vez eles foram questionados sobre isso e essa simples reflexão me faz acreditar, que esse projeto já é muito importante para todos que de alguma forma participaram dele.
Loucura, devaneio, ansiedade, saudade, esperança, desesperança, tristeza, melancolia, euforia, felicidade, dúvida, certeza, realidade, amor, dor e acaso, são algumas palavras que ficaram na minha cabeça, mas principalmente que somos muitos, somos diferentes e somos iguais, seres humanos que habitam as ruas dos lugares onde moramos e por ventura passamos e sentimos os mesmos amores e as mesmas dores.
“Gosto de uma maneira muito carinhosa do que é inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão. É a minha descoberta de todos os dias. Cada coisa é o que é, e é difícil explicar a alguém quanto isto me alegra. E quanto isto me basta. Basta existir para ser completo.” Clarice Lispector
Muitas coisas aconteceram na minha vida neste último ano e olhar pela primeira vez para as imagens brutas do Amoradores no momento em que amor e dor, conversam de novo, tão bem com meu estado de espírito é no mínimo curioso...
Impressões, bom, todas as possíveis e imagináveis, mas na verdade, muito mais amplas do que todas tidas durante as entrevistas, estar lá é uma sensação, ou melhor, um conjunto “x” de sensações, assistir a todas elas um ano depois, cercada de comentários e expressões do conjunto de pessoas que somos hoje no início do projeto é realmente muito maior do que eu poderia esperar.
Particularmente, fiz uma viagem no tempo, desde o momento em que este projeto nasceu dentro de mim, depois lembrei do Le e Fe topando a empreitada de sairmos pelas ruas de Curitiba entrevistando todas as pessoas que poderíamos encontrar e que se sentissem a vontade de conversar um pouco conosco, as nossas dificuldades técnicas, até a elaboração do projeto e o convite, feito tão a dedo a todos que hoje participam da pesquisa.
Hoje vejo, que fomos na maioria das vezes muito bem recebidos e que corações se abriram lindamente para nossos olhares e ouvidos curiosos.Cheguei muitas vezes a me questionar sobre usar o AMOR e a DOR, como “temas”, mas quando assisti aos depoimentos, tive a certeza de que na rua dos que moram, habitam, passam, enfim, de todos nós, esses assuntos de fato sempre farão parte.
Foi delicioso, ouvir de novo todas aquelas histórias, fiquei me perguntando há quanto tempo aquelas pessoas não falavam daqueles assuntos, há quanto tempo alguém não lhes perguntava como se sentiam, como percebiam a vida, suas lembranças e escolhas, se é que alguma vez eles foram questionados sobre isso e essa simples reflexão me faz acreditar, que esse projeto já é muito importante para todos que de alguma forma participaram dele.
Loucura, devaneio, ansiedade, saudade, esperança, desesperança, tristeza, melancolia, euforia, felicidade, dúvida, certeza, realidade, amor, dor e acaso, são algumas palavras que ficaram na minha cabeça, mas principalmente que somos muitos, somos diferentes e somos iguais, seres humanos que habitam as ruas dos lugares onde moramos e por ventura passamos e sentimos os mesmos amores e as mesmas dores.
“Gosto de uma maneira muito carinhosa do que é inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão. É a minha descoberta de todos os dias. Cada coisa é o que é, e é difícil explicar a alguém quanto isto me alegra. E quanto isto me basta. Basta existir para ser completo.” Clarice Lispector
